\n'; document.write(barra); } } changePage();
| INTRODUCTION | ACKNOWLEDGEMENTS | INTERVIEWS | ARTICLES | GALLERIES | BIBLIOGRAPHY | LINKS | WANTS |
| INTRODUÇÃ0 | AGRADECIMENTOS | ENTREVISTAS | ARTIGOS | GALERIAS | BIBLIOGRAFIA | LINKS | PROCURAS |
Entrevistas / Interviews
ESCRITOR E ROTEIRISTA DE HQ ALEX LOBÃO
por José Carlos Neves
Consultor da Microsoft, 34 ANOS, Alex Lobão é leitor compulsivo desde os sete anos. Ele começou a ler gibis de um primo em
1979, quando passou a comprar os seus e
nunca mais parou.
Ele nos revela:
Já escrevi diversos roteiros de quadrinhos e um roteiro de cinema;
dos quadrinhos, alguns foram desenhados por autores de Brasília, Barretos e do
Sul (o Eloir Carlos Nickel), mas os E.C.Nickel
foram os primeiros aprovados por uma editora de grande porte – a Escala – para
publicação (exceto um aprovado pelo Gian
Danton para a revista MANTICORE, que infelizmente acabou antes do roteiro
ser desenhado).
Escrevi 3 roteiros para o Eloir com um de seus
personagens (ULTRAX), um roteiro de capa-e-espada (STONE, O
Mercenário), uma história curta de terror e um grande roteiro para uma
Graphic Novel que pretendemos vender para uma editora Européia. 
Além disso, ajudei a organizar e participei como palestrante no primeiro
encontro de HQ do Centro Oeste no fim dos anos 90 e ajudei na organização do
segundo, no ano seguinte, que não chegou a acontecer.
Atualmente, tenho trabalhado mais em meus
próximos livros do que com
quadrinhos, embora esteja procurando um desenhista para um roteiro interessante e divertido que escrevi,
com uma temática mística.”
-Alex, por favor, estado civil, filhos, formação
acadêmica e profissional.
Bom, sou casado com a artista plástica Wal Andrade (http://www.walandrade.art.br/), tenho
uma filha de 14 anos (Natália) e um filho de 6 (Rafael). Sou formado em ciência da computação, já
fui funcionário do Banco do Brasil, empresário e agora trabalho na
Microsoft. Gosto muito de criar
programas, especialmente com manipulação de imagens.
-O quê e quando iniciou seu interesse pela
Literatura, Quadrinhos e Cultura Pop em geral? Na infância você lia muito, tanto
HQ quanto Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o
influenciaram?
Na minha casa havia uma coleção de obras infantis com
dezenas de
pequenos livros (20 a 30 páginas cada). Depois de devorar estes livros, ainda
aos 7 anos comecei a ler os livros da biblioteca mais “séria” de meus pais:
Jules Verne, Alexandre Dumas, Mark Twain,
Cervantes, etc, etc. Comecei com
quadrinhos tempos depois, quando já tinha conhecido muitos dos clássicos da
literatura universal. Até hoje sou
leitor compulsivo, se não tiver nada quando vou ao banheiro, leio até bula de
remédio e rótulo de xampu!
-Somos dois. Então você lê de tudo, seja Ficção
Cientifica, Terror, Policial ou se limita mais a algum gênero?
Tudo. Gosto muito de FC, mas já li quase tudo de Conan Doyle e de Agatha Christie, por exemplo. Eu costumava ler muito Stephen King, porém depois de certos eventos achei melhor deixá-lo de lado por uns tempos...
-Pode esclarecer melhor que "certos eventos" foram
estes e porque o motivaram a essa decisão?
Bom... Ok, vamos lá. Um evento inicial foi
banal, eu estava viajando de ônibus e, depois de uma refeição de beira de
estrada, fui ler “Tripulação de esqueletos” e li um conto onde o protagonista,
preso em uma ilha deserta, é obrigado a viver de cheirar cocaína e comer partes
do próprio corpo o que, depois da minha refeição “não tão saudável” (estou sendo
eufemístico), me deixou tão enjoado que tive que me cuidar muito para não botar
tudo para fora.
Um pouco mais do motivo está intimamente associado a este:
quando leio um livro, eu não apenas leio, eu VIVO totalmente a história, talvez
porque, como escritor, eu consiga mais facilmente me inserir em diferentes
realidades. O tempo e o espaço se acabam, e eu só consigo retornar quando a
história acaba. Como as histórias do mestre King são razoavelmente pesadas, eu
trazia toda esta carga para o mundo real, e dava um trabalho danado para limpar
minhas “vibrações” desta carga...
Por fim, o golpe final é que achei que o
Stephen King estava “perdendo a mão”, tornando-se um pouco óbvio e repetitivo
(talvez porque eu já conhecesse bem demais
suas histórias), e isso
tornou mais fácil minha decisão de salvar um pouco da minha alma e ler coisas
mais leves! (risos)...
Gosto de ler também
livros espíritas e livros de terror.
Tenho lido também os livros do André Vianco,
até porque além de bom
escritor ele é um cara muito simples e amigável!
-Concordo. O Vianco, inclusive, é um dos próximos
entrevistados. Como se iniciou profissionalmente no gênero e qual foi sua
primeira atividade?
Profissionalmente? Bom, infelizmente a profissão de
escritor, seja quadrinhos ou livros, nem mesmo é reconhecida no Brasil – ou
seja, não posso me aposentar disso, preciso me registrar como “trabalhador
autônomo”. Mas vamos lá: Minha primeira publicação “oficial” foi
uma redação que fiz na quarta série e que foi escolhida pela professora para
compor a prova de português.
Comecei a escrever mais seriamente aos doze anos, mas só aos 30 que
publiquei meu primeiro livro (“A Caixa de Pandora e Outras Histórias”,
http://www.thesaurus.com.br/produto.asp?produto=1053), quando fui intimado a
tirar os originais da gaveta. Meu
primeiro script de quadrinhos foi desenhado mais ou menos na mesma época, mas só
fui publicado em zines de pequena circulação.
-Antes de prosseguirmos sobre
seu trabalho, você sabe que neste site, tudo
praticamente gira em torno do cultuado autor e roteirista
inglês Alan Moore. Que ele foi o criador da obra From Hell , para os Quadrinhos, depois
desperdiçada por Hollywood. E que
ele,” para vencer a crise existencial dos 40 anos”, resolveu se tornar um mago.
Estudou muito Aleister Crowley, Austin Osman Spare, participou de experiências e
acontecimentos no mínimo
“fora-do-script”, como ele gosta de descrevê-los. Você acredita na Magia,
na Kabala e outros desdobramentos, ou tenta também - como o James Randi
tupiniquim,Padre Oscar Quevedo-"explicar tudo à luz da
Parapsicologia"?
Olha, José, digamos apenas que a minha própria
“crise dos 40 anos” começou quando eu tinha 9 anos e achei que o catolicismo não
me dava todas as respostas que eu queria.
Após participar por muitos anos de grupos esotéricos que me deram uma
visão bastante diferente do Universo, conheci o espiritismo (“Kardecista”) e me
identifiquei bastante bem com as idéias, chegando a trabalhar em vários grupos e
desenvolver alguns “dons”.
Pela mistura de conhecimentos a que tive acesso
(incluindo aqui idéias dos magos mencionados, e outros), ouso dizer que hoje
tenho uma visão bem precisa do mecanismo por trás das coisas que as pessoas
usualmente chamam de Magia, Kabala e etc.
No fundo, no fundo, basta-me dizer que as coisas são MUITO mais simples
do que parecem; e que não existe nada que vá contra as leis da Natureza, mas sim
existem leis da Natureza que ainda ignoramos. E não são poucas! Tudo é equilíbrio, sempre que se
tira algo de algum lugar, temos um resultado oposto para equilibrar o que
fizemos – pura ação e reação.
-Dá o que pensar...Quando
foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual obra lhe causou algum impacto
especial?
Conheci o Alan Moore com a primeira publicação de
seus trabalhos do Monstro do Pântano no Brasil; e de
cara me apaixonei. Já havia lido
histórias do Monstro antes, mas as achava muito fracas, e, de repente, ele
passou a ser meu personagem predileto. Tanto o Monstro quanto HellRaiser me causaram impacto, pois vi ali conceitos mais
profundos, revestidos na trama básica das histórias.
-Qual trabalho do mago
bardo de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?
Para mim, Watchmen é a obra definitiva dos
quadrinhos, porque nela Moore consegue fazer coisas que só são possíveis em HQs,
provando com isso, de maneira definitiva, que os quadrinhos têm algo a agregar à
cultura em geral, que só eles conseguem contar determinadas histórias.
-Ao seu ver, quais foram as inovações mais
importantes do autor? Especificamente sobre Watchmen e sua instigante
forma narrativa – já apelidada de O Cidadaõ Kane da Nona Arte – o que tem a nos dizer?
Como falei, em Watchmen Alan Moore consegue fazer
coisas únicas, como a intercalação de linhas de narrativa paralelas, a
“recursividade” não só no roteiro como também nas imagens, entre outras
coisas.
Um bom exemplo disso são os momentos em que temos
intercalação de quadrinhos de duas linhas de narrativa diferentes, com os textos
trocados; como quando temos o menino lendo histórias de piratas e os homens à
sua volta discutindo a situação mundial: vemos os quadrinhos da revista com as
vozes das pessoas, e as pessoas com o texto dos quadrinhos, sendo cada texto ou
voz uma metáfora perfeita para a linha de narrativa paralela! Incrível!!
A recursividade mais básica é a da “carinha” ou
“smiley” sorrindo com sangue, que se repete em muitos quadros, desde a
nave-coruja flutuando sobre a cidade, com a lua ao fundo, até as crateras de
Marte onde está o Dr. Manhatan.
Temos outras recursividades, no próprio roteiro, quando vemos personagens
repetindo ações de si mesmos ou de outros no passado, dando a idéia de ciclos, e
a própria história terminando a ponto de recomeçar.
-Qual sua opinião sobre Big Numbers a inacabada
magnus-opus de Alan Moore, que através da Teoria do Caos e seus Fractais, a vida
de uma comunidade representando o macrocosmo, tentaria explicar o próprio
Universo?
Vou ser sincero: Já li
muito SOBRE esta história, mas ainda não li nenhuma parte do que já foi
feito. Parece-me uma história com
uma premissa no mínimo instigante, e com certeza existe uma multidão de fãs
rezando para que seja levada à frente!
- Você acha que uma HQ tem a capacidade de abarcar
tamanha complexidade e ser compreendida?
Alan Moore já provou que sabe contar histórias
complexas, com muitas linhas narrativas paralelas, e ainda torná-las
acessíveis. Creio que seria
possível, nem que o resultado fosse algo como os livros do físico Stephen
Hawking que explicam as mais complexas teorias físicas em palavras para leigos:
você sabe que não dá para entender TUDO o que é dito, mas pelo menos
consegue acompanhar a linha geral e entender o fluxo principal das idéias.
Por outro lado, se ele desistiu de continuar a
história, é porque ele sentiu que não dá para atingir o efeito final que ele
desejava – pelo menos por enquanto.
Mas eu confio em Moore! (risos)
-O que acha da imberbe Teoria do Caos, com seus Fractais e
o popular "efeito borboleta"?
Eu comecei a estudar
as Fractais e Teoria do Caos no fim dos anos 80, quando os primeiros estudos do
matemático Mandelbrot me caíram nas mãos. A aplicação das fractais
(que, na verdade, são basicamente equações que descrevem desenhos que tem
dimensões euclidianas fracionárias, ou seja, não estão exatamente em uma única
dimensão) é bastante variada, indo de algoritmos de compressão de imagens até
criptografia e desenho e simulação de processos da natureza.
Um livro que pode ser
interessante para quem só tem curiosidade sobre o assunto é “A Teoria do Caos”, e James
Gleick. Nele, o autor fala a
teoria de maneira totalmente leiga, mas é interessante como leitura
inicial.
O fato é que as
fractais estão sendo cada vez mais usadas, principalmente na simulação de
fenômenos da natureza.
(quem não se
interessar por fractais, pode pular o próximo parágrafo!)
Para quem não sabe
nada de fractais, deixe-me dar o exemplo da mais simples das fractais, para ser
feito em casa: Desenhe um triângulo
eqüilátero. Agora, divida cada um
dois lados do triângulo em três, e desenhe um novo triângulo eqüilátero menor
sobre cada um dos lado, sendo que um lado destes triângulos menores é a parte do
meio dos lados que dividimos. O
resultado disto é uma estrela de seis pontas. O próximo passo é repetir o processo
(desenhar um triângulo no meio de cada aresta da figura). E repetir. E repetir. Infinitamente. Com esta fractal, chamada “Curva de
Koch”, é possível entender o conceito da dimensão fracionada: podemos, através
da fórmula que descreve esta figura, calcular a ÁREA da figura, através de
cálculos de derivada e limite. Mas
não é possível calcular o PERÍMETRO da figura, que tende ao infinito. Ora, como podemos ter uma figura
bidimensional com perímetro infinito porém com área fixa? Daí, a dimensão desta figura é algo
como 2,nn (nn é um
determinado número, que não tenho em mãos agora).
-Como essa instigante teoria pode ser aproveitada em
roteiros ficcionais? Conhece e pode citar alguma obra (Quadrinhos, Literatura,
Cinema...) que se vale da mesma?
Creio que há
vários conceitos que podem ser aproveitados na criação de roteiros e
histórias. Só para citar
alguns:
- O “efeito
borboleta”, onde um pequeno fato aparentemente sem importância pode gerar uma
grande comoção (ele tem este nome pela exemplo de que o bater de asas de uma
borboleta no Japão poderia provocar um furação nos Estados Unidos). Um grande exemplo disso é a mini-série
“The Nail”, da Liga da Justiça.
- O “atrator
estranho”: matematicamente, é uma equação que descreve uma “órbita” em torno de
um ponto, onde, para cada valor calculado e desenhado em um gráfico, temos
pontos que circulam em torno de um determinado ponto ou conjunto de pontos, mas
nunca pelo mesmo caminho. Podemos
fazer uma história que se repete várias vezes, mas nunca de forma igual. Há um filme (ou livro) que li que é um
bom exemplo disso, mas que infelizmente não me lembro do nome. Nele, a mesma história é contata por
vários personagens, e a cada vez você vê a história por um ponto de vista
diferente, ficando hora comovido com um personagem, hora com raiva dele, ora
confuso, dependendo do ponto de vista.
- O efeito
“drill-down”. Em uma fractal,
usualmente, os gráficos que aparecem em uma escala se repetem em escalas muito
menores. Por exemplo, na curva de
Julia (“inventada” por Mandelbrot), se vemos um gráfico da variação entre os
valores -1 e 1, teremos algo como um desenho de um oito (dois “buracos” unidos,
lado a lado) cercado de “espirais”g semelhantes a folhas de samambaias. Se calculamos a mesma fórmula para
valores entre de 0,00000001 e -0,00000001, veremos muitos desenhos semelhantes
se repetindo. Podemos usar isto em
literatura para fazer histórias onde as tramas pessoais em que se envolvem os
personagens são semelhantes a uma grande trama que acontece entre eles, e a
nível de cidade, país, planeta, universo... Ops! Big Numbers!
-Fantástico, amigo! Não
sei se é este,mas o filme alemão "Corra Lola, Corra!", pode se enquadrar no
"efeito atrator estranho", assim como vários contos que já de Dalton Trevisan. Ainda nesta direção metafísica, qual é a sua concepção do Tempo? Considera-o
a Quarta Dimensão do Espaço, como teorizou Einstein ou tem outra visão
Como falei
anteriormente, tenho uma visão bastante clara de muitas coisas. O que posso dizer é que acredito
que existem formas muito diferentes de se perceber o tempo, quando atingimos
outros estados de consciência; embora, a nível de universo material, não fujamos
muito do tempo seqüencial que conhecemos.
Para mim, o tempo é como se estivéssemos olhando para um rio cheio de detritos
boiando, através de uma janela pequena:
só conseguimos ver parte do rio (o “presente”), e só vemos uma pequena
parte dos detritos (os “fatos” que percebemos). Existem muitos outros presentes e
futuros e passados, se pudermos “enfiar a cabeça para fora da janela”, nossa
visão com certeza muda! Um bom
livro sobre isso, embora seja um pouco difícil de ler devido à
complexidade de determinados trechos, é o “A Memória e o Tempo”, de Hermínio C. de
Miranda.
-Já entrou automaticamente para minha, cada dia mais
voraz, "LIsta de Procuras". E esta tua metáfora sobre o tempo foi uma das mais
lúcidas que já encontrei. E From Hell, você acha que Moore
conseguiu atingir plenamente seu intento de
Entendo bem o que Alan
Moore fez com esta história, até porque estou fazendo algo semelhante, porém com
um foco totalmente diferente (estou lendo dezenas de livros e referências
diversas para compor uma história ambientada no Brasil, no fim do século
XVIII).
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
-E a versão para o cinema
agradou? Porque? E o da Liga dos
Cavalheiros Extraordinários? 
Acho que não dá
para comparar. São mídias
diferentes. ‘From Hell’ nunca
poderia ser contado no cinema do jeito que foi contado nos quadrinhos; basta ver
a infância do Dr. Gull onde há um salto de tempo a
cada página, para perceber que qualquer adaptação para cinema ou livro seria
muito diferente. Claro que
Hollywood iria fazer uma coisa muito mais focada na violência do que na
história, e que a história (se houvesse), não poderia ter tantos meandros quando
a história de Moore. Moore adaptou
a realidade. O cinema adaptou
Moore.
Em poucas
palavras: nunca acreditei que as versões do cinema destes clássicos de Alan
Moore pudessem valer realmente a pena.
Valem apenas para podermos ver os personagens em ação, pouco mais que
isso.
- Acha que a nossa Literatura de gênero tem evoluído?
Quais autores - tanto de ficção quanto de fato, ensaístas, críticos, etc - você considera dignos de nota?
Com certeza. Ao lermos os manuscritos de “A Morte de
Artur”, escrito há cerca de 500 anos por sir T. Malory, percebemos que a
narrativa era pouco clara, os personagens pouco coerentes e a história não
explicava muita coisa, deixando muitas “pontas soltas”. Com Shakespeare vemos o nascimento de
uma literatura mais comercial, mais moderna; mas até hoje temos autores
inovando. O livro “Arãa”, do
escritor paulista Evandro Affonso Ferreira, é um romance contado “de
dentro” da cabeça do personagem, só com pensamentos muitas vezes
desconexos. Já nos livros “Os
Pilares da Terra”, Ken Follett usa formas de narrativas inovadoras,
especialmente no primeiro volume, onde temos um narrador em terceira pessoa,
como se usa para narração “onipresente”, porém a história só é contada em torno
de um personagem por vez, quando se “move” para outro personagem, o tempo já
passou, coisas aconteceram e simplesmente não vimos! É quase como ver um filme gravado em
tempo real, não há descrições de coisas que ocorrem ao mesmo tempo, mesmo nas
tramas paralelas. E há outras
inovações de formas narrativas sempre aparecendo, embora possamos pensar, à
primeira vista, que já inventaram tudo o que tinham para inventar nesta
área. Gosto muito de Stephen King,
de Jules Verne, John Grisham, Neil Gaiman, Ken Follett, William Gibson, André
Luis (por Chico Xavier), André Vianco, Martha
Argel, Ronaldo Cagiano, Phillip K. Dick (acho os romances melhores que os
contos), Isaac Asimov (acho os contos melhores que os romances) etc, etc,
etc. É difícil lembrar de todos,
mas estes foram os nomes que primeiramente me vieram à mente.
-E nas Artes Plásticas em geral, qual dos trabalhos que tem visto – HQs,
ilustrações, esculturas, maquetes, etc -
julga o melhor ou pelo menos promissor? Acha que temos um mercado para
esta delimitada forma de Arte?
A arte é a
primeira a ser sacrificada em tempos de crise; e dentre as diversas artes, as
artes plásticas provavelmente são as primeiras da fila, pois ninguém pensa em
comprar um quadro quando pode comprar uma reprodução e ainda sobrar dinheiro
para um prato de feijão.
Espaço sempre
teremos para a arte, mas cada vez mais, imagino, para a arte “fácil”, de
consumo, voltada ao mercado. Para
mim, o grande inimigo de qualquer arte é a comercialização excessiva. Até mesmo Alan Moore fez algumas
histórias medianas, quando precisava ganhar o pão de cada dia criando várias
histórias por mês. Claro que o
“mediano” do Moore é melhor que o mediano da maioria; mas ainda assim, é
impossível criar uma obra-prima todos os meses.
-Você acha que ainda
existe espaço para super-herois “bombados” nos Quadrinhos ou os mesmos são só
mesmo “para crianças”?
Com certeza há
espaço. Embora muita gente aprecie
histórias complexas, tramas bem escritas e temas adultos, ainda há uma boa fatia
do público que se diverte com as besteiras mensais de um Homem-Aranha ou as
aventuras do jovem Clark Kent em SmallVille (série de TV)!
Sempre há espaço para
boas histórias, e boas histórias podem ser escritas com qualquer
personagem. Ou você acha que alguém
imaginava ser possível fazer boas histórias com “O Monstro do Pântano” antes do
Moore botar as mãos nele?
-Por ter se interessado
por Historias em Quadrinhos em nível profissional você sofreu – ou sofre até
hoje – alguma espécie de preconceito ou discriminação? Como lida com isto?
Preconceito sempre
há. Quadrinhos raramente são vistos
como “coisa séria”, e mesmo escritores famosos nos quadrinhos são muitas vezes
desprezados. Graças a alguns
gênios, como Alan Moore , Will Eisner e Neil Gaiman, isto está aos poucos
mudando, mas ainda é uma mudança muito incipiente.
A melhor forma de lidar
com isso é usar o bom senso: se a pessoa está aberta ao diálogo, explicar como
há determinadas formas de narrativa que só são possíveis, ou que são melhor
exploradas, na forma de quadrinhos.
Se a pessoa é ainda mais aberta, dá para oferecer uma história de um
destes gênios que mencionei para que a pessoa
possa “ver por ela mesma. Agora, se a pessoa não está aberta ao
diálogo... Não há o que fazer. Só da para falar que “quadrinhos não são
coisas de criança, e quem pensa assim é bobo, feio e chato”. (risos) Pelo menos assim a conversa acaba, não
adianta perder tempo com quem é travado!
-Fale-nos sobre seu livro
de contos, “A Caixa de Pandora e Outras Histórias”.
Como foi sua gênese? Motivações? Repercussão ?
Escrever um livro é quase
como ter um filho, só que, às vezes, dói um pouco mais. “A Caixa de Pandora...” é uma coletânea
de diversas histórias que escrevi em um período de 15 anos, mais ou menos,
contemplando histórias de fantasia, terror, histórias “intimistas” e histórias
de guerra. A história que deu nome
ao livro pode ser lida em formato de e-book, no endereço http://virtualbooks.terra.com.br/osmelhoresautores/A_Caixa_de_Pandora.htm .
Cada conto do livro tem
uma história real sobre sua gênese.
No conto principal, por exemplo, eu tinha em mente um determinado
diálogo, mas à medida em que os fatos foram acontecendo, os personagens tomaram
vidas e começaram a ir em direções que eu não esperava. Sem saber o que fazer, deixei a história
fluir, sem idéia nenhuma de como ela iria terminar. Totalmente envolvido emocionalmente com
a história, quando ela terminou eu mesmo me surpreendi, e escrevi os últimos
parágrafos chorando copiosamente sobre o teclado!
Motivações? É difícil alguém que lê muito não ter o
que escrever, são muitos pensamentos e idéias que fazem questão de serem
expressos!
Repercussão? Bom, tive boas resenhas nos dois maiores
jornais de Brasília, no “Tribuna da Imprensa” do Rio, e mais em uns 5 ou 6
jornais e periódicos, de Minas ao Pará.
Mas como literatura no Brasil só vende se for anunciada na novela das 06
ou no Programa do Jô, ainda não sou autor de “Best Seller”. Meu segundo livro vendeu até o momento
pouco mais de 7000 cópias, portanto, até teve um sucesso moderado.
-Como roteirista, você
busca uma “formação técnica” também, através de cursos, livros (pode citar algum e
seu autor? Eu por exemplo, considero, em Português, o livro Roteiro,de Doc Comparato, uma obra a ser levada em conta)
ou foi “formado na raça” somente através de muita leitura ?
Sempre gostei não só de
buscar formação como de passar para frente o que aprendi. Minhas leituras básicas incluem o “Curso de
Roteiro” do Gian Danton, o “Manual de Roteiro” (de cinema) do Sid Field, além, é claro, dos obrigatórios “Quadrinhos e
Arte Seqüencial” do Will Eisner e
“Desvendando os Quadrinhos”, do Scott McCloud. Da minha parte, produzi uma agenda para
um curso/workshop sobre narração e roteiros, contemplando resumos dos pontos que
julgo mais importantes na criação de histórias e roteiros; que ainda não levei
para frente por estar mais abaixo na minha lista de “próximas
criações”.
-Ainda neste aspecto
formal, quais roteiristas, além de Alan Moore, você admira e porque, tanto em
Quadrinhos quanto em Cinema?
Bom, com certeza Neil
Gaiman, Garth Ennis, Grant Morrison e Frank Miller, embora eu ache que o Frank
Miller perdeu um pouco do seu “toque” nas últimas obras. A nível de cinema, é difícil nomear um
roteirista que me chame a atenção, porque usualmente os trabalhos mais
interessantes são criados a partir de adaptações de livros, e porque o mesmo
roteiro pode ser produzido de maneiras radicalmente diferentes, dependendo dos
diretores e produtores. Se
estivéssemos falando de diretores e produtores, eu mencionaria Spielberg, George
Lucas, James Cameron e, é claro, os irmãos
Wachowski.
-Você revelou que também
já escreveu pra cinema. Foi um projeto especifico, que chegou a ser considerado
profissionalmente? Pode nos contar mais detalhes?
O roteiro que produzi,
“Uhuru”, conta a saga de um negro, desde a sua infância na África até sua
velhice em um quilombo, passando por uma vida de escravidão. Com elementos Hollywoodianos e duas
linhas narrativas (parte da ação se passa no presente, com um arqueólogo
analisando restos de um quilombo encontrados em uma montanha em Minas); o
roteiro foi criado para um concurso de roteiros do Ministério da Educação, mas
não foi classificado. Está nos meus
planos transformar “A Caixa de Pandora” em um roteiro para ser produzido (ainda
de maneira amadora) em 2005; mas isto ainda é uma grande
incerteza.
-Quais as diferenças
básicas entre Roteiros cinematográficos e para Quadrinhos?
Realmente existe uma
grande diferença. Vejo as
diferentes formas de se criar um história como uma escada: Enquanto na
literatura você descreve toda a ação, explicando o ambiente, os personagens, o
que falam e pensam (portanto, uma experiência “contínua”, sem interrupções, do
autor para o leitor); nos roteiros para cinema precisamos dividir as falas das
descrições (dos ambientes, tomadas de câmera e até dos próprios personagens),
sendo assim uma experiência mais “interrompida”, menos contínua para o leitor –
que, neste caso, é o produtor do filme.
Por fim, nos
quadrinhos o roteiro é ainda mais dividido, com “interrupções” pois, além do
roteirista precisar dividir as descrições das falas dos personagens, ele precisa
especificar quadro a quadro como a cena (que no cinema é contínua) será quebrada
em quadros.
A seguir mostro uma
curta cena, que acabei de inventar, contada em cada uma destas formas de
narrativa, para ilustrar o que eu disse:
Literatura:
“José Maria, ainda com a camisa
para fora da calça e os sapatos na mão, sai correndo pela porta do hotel e
consegue vislumbrar o inconfundível vestido vermelho de Maria José, dentro de um
táxi que acabava de sair do ponto de táxis. Seu rosto estava escondido com o lenço
com que ela enxugava as lágrimas.
Rapidamente, ele se atira dentro do próximo táxi no ponto e grita para o
motorista:
- Siga aquele carro!
Apesar da preocupação, ele não consegue deixar de
sorrir. “Siga aquele carro!... E pensar que sempre tive vontade de
falar isso!””
Cinema:
EXTERNA – FRENTE DO
HOTEL – NOITE:
José Maria sai
correndo do hotel com a camisa fora da calça e sapatos na mão. Ele olha para os lados e parece muito
preocupado.
EXTERNA – CLOSE NO
TÁXI QUE SAI - NOITE:
É possível ver uma
mulher de vestido vermelho no táxi, com um lenço sobre o rosto. Não é possível ver se realmente é Maria
José.
INTERNA– INTERIOR DE
UM TAXI- NOITE:
A porta de trás é
aberta repentinamente e José Maria se atira dentro do carro. O motorista está lendo um jornal e leva
um susto.
JOSÉ MARIA
(gritando)
- Siga aquele carro!
CLOSE NO ROSTO DE JOSÉ
MARIA:
JOSÉ MARIA
(aparentando desdém ou ironia, falando baixo)
- Siga aquele carro! Sempre
quis dizer isso!
Quadrinhos:
Quadro 1:
José Maria saindo da porta do hotel, com a camisa para fora da calça e
sapatos na mão, olhando para os lados.
Quadro 2: José Maria gritando para um táxi que sai. Pela janela pode se ver uma mulher de
vestido vermelho, com um lenço sobre o rosto. Não é possível ver se realmente é Maria
José.
Texto: José Maria:
“MARIA!”
Quadro 3: Motorista de Táxi jogando o jornal para cima, assustado, com
José Maria que se atira pela porta aberta do carro.
Texto: José Maria
(gritando): “SIGA AQUELE CARRO!”
Quadro 4: close em José Maria, com um sorriso de desdém ou ironia.
Texto: José Maria (pensando): “Siga aquele carro! Sempre quis dizer isso!”
--O que tem feito
atualmente e quais seus novos projetos?
Bom, estou
terminando os detalhes de um livro infantil (“A Verdadeira História de Papai
Noel”); e trabalhando em um livro sobre experiências de vida (“Amar é simples e
necessário”). Além disso, estou me
preparando para terminar outro livro até o fim do ano, um romance de fantasia
(“Os Messias”); e lentamente organizando material para produzir um romance
histórico sobre a vida de Tiradentes (estou compilando informações de umas
poucas dezenas de livros e outras fontes), ainda sem título, que deve sair só
daqui a dois anos ou mais.
-Do que você já fez nos Quadrinhos e Cultura Popular em
geral, o que você considera o seu melhor trabalho e porque?
Difícil dizer, pois
cada nova obra sempre me parece a melhor.
O conto “A Caixa de Pandora” foi muito bom de se escrever, e têm recebido
excelentes críticas de todos que o lêem; na área de quadrinhos, o Álbum “Fiat
Voluntas Tua”, desenhado pelo E.C.Nickel, tem tudo para explodir no mercado
europeu, com uma história cheia de reviravoltas e surpresas. Já o livro (ainda não terminado) “Os
Messias” está me deixando de cabelos em pés, e espero que faça o mesmo com todos
os leitores.
-Quais foram os eventos mais importantes que já
ocorreram em sua vida?
Meu casamento, o
nascimento de meus filhos, e os 6 primeiros meses de 2000; quando achei
sinceramente que iria morrer, por duas vezes, e consegui mudar muita coisa na
minha forma de ver a vida.
-Como assim? Alguma enfermidade ou acidente? O que de mais substancial istoalterou na sua forma de ver a vida?
É difícil de contar assim, em poucas linhas. Basta
dizer que estou escrevendo um livro sobre isso (“Amar é simples e necessário”);
e que o final do livro culmina com esta experiência. Materialmente, o que
ocorreu foi que tive uma perfuração no intestino, resultado de uma enfermidade
que durava alguns anos, e tive que remover todo o intestino grosso em uma
cirurgia de emergência (a primeira vez que pensei que ia morrer, pois nunca
tinha passado por nada assim). Depois, passei por mais 3 ou 4 cirurgias para
reconstruir o trato do aparelho digestivo com o intestino delgado, e na última
cirurgia, a mais simples (quase “boba”), pensei de novo que iria
morrer;
desta vez porque eu tinha de certa forma alcançado o Nirvana, e
fiquei com medo de já ter aprendido o que precisava aprender nesta encarnação, o
que me deixaria mais facilmente “desligado” para poder largar o corpo por aqui.
Sei que é meio bobo, quase incoerente, dizer que se tem medo da morte, ainda
mais com toda informação que tenho; porém é a mesma ansiedade que você sente
quando vai viajar para um lugar distante e não voltar a ver seus parentes tão
cedo que acaba levando a este medo. Sem contar que, como dizem, “na prática, a
teoria é diferente!” (risos).
E, antes que você pergunte: Não dá para
explicar o que ocorreu do lado não-material. Não com poucas
palavras.
Por isso, estou escrevendo um livro, creio que devo isto à
humanidade! Posso lhe contar em off, quando sairmos para tomar uma cerveja...
Ops, não bebo, Ok, um suco
de laranja!
-Também não bebo, quer dizer, cerveja. E atualmente,
o que lhe e´ realmente imprescindível, seminal?
Saúde. E Paz. Embora as duas coisas sejam mais
semelhantes do que a maioria das pessoas possa sequer imaginar. Tendo isso, todas as demais coisas ficam
mais fáceis.
-Como você imagina a Informática e a tecnologia
digital em geral, daqui a dez anos?
Vai evoluir menos que
pensamos. Quer dizer, os
computadores de mão e os “cadernos digitais” (Tablet PCs) serão ubíquos, e quase todo
eletrodoméstico vai ter seu mini-computador embutido, mas ainda vamos ter algo
bem parecido com o PC controlando boa parte da casa – especialmente a parte de
entretenimento, incluindo Internet, TV a cabo, telefone, aparelho de som e
etc. Mas acho que tudo isso ainda
vai ser visto como novidade, acessível a poucos.
-Sobre a subcultura, o underground, o alternativo, no
que você acha que ela mudou dos emblemáticos Anos 60 para cá?
A subcultura dos anos
60 hoje virou produto de consumo das massas; basta ver os quadrinhos do Crumb e
outr
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
-Sim, algo como um novo tribalismo. Qual seria o “elo
perdido” que realmente colocaria a pesquisa da Inteligência Artificial par-a-par
com as da ficção cientifica?
O poder da computação
quântica vai permitir coisas que ainda nos parecem ficção científica. Em menos de 10 anos vamos ver protótipos
bastante bons de computadores quânticos, mas vai demorar mais do que isso para
que tenhamos bons programas que explorem o lado da “fuzzy logic” destes
computadores para gerar algo parecido com a A.I. das F.C.
-O que essa descoberta poderia alterar nosso
conhecimento da Consciência?
Creio que, à medida
que passemos a criar máquinas com programação tão “perfeita” (na verdade, o
segredo está nas pequenas imperfeições) que nos pareça que elas têm consciência,
com certeza vão aumentar as especulações de que a consciência seria apenas uma
“programação” do cérebro orgânico, que se termina quando este deixa de
existir. Mas embora eu ache que
diversos paralelos possam ser feitos desta eventual “consciência" artificial com
nossa própria consciência, que até nos ajudem a desbravar alguns cantos escuros
de nossas mentes, ainda assim julgo que nunca seremos capazes de criar algo que
simule 100% nossa mente – até porque incluo aí os poderes “extra-sensoriais” que
não consigo imaginar uma máquina sendo capaz de ter!
-O que você acha que acontece com a consciência após a
morte?
Bom, eu gosto de dizer
que eu não “acho” nada, por eu SEI.
A consciência continua existindo normalmente, apesar de incorpórea. Não nos endeusamos nem vamos a nenhum
lugar especifico, exceto para os lugares ilusórios onde nossa mente acha que
deveríamos ir.
-Leia sobre isto a Entrevista com o físicoo
quântico indiano Amit
Goswami. Você acha que a “sede” do nosso “espírito” – ou essência, ou
anima, o nome que se dê - se encontra na mente? Ou tudo não passa de um
aperfeiçoamento fantástico de uma verdadeira “máquina orgânica” com seus
ilimitados neurônios e suas ligações sinápticas?
Por mais perfeito que
seja o cérebro, com seus milhões de anos de evolução acumulados, ainda assim ele
é só um instrumento, um “rádio” material que permite às consciência se
apresentarem de forma material. Por si só, ele é apenas um amontoado de
células. Basta ver as pessoas que
tem “morte cerebral” detectada. Se
você analisar o cérebro destas pessoas, as células estão lá, vivas, ainda
respondendo a estímulos; só que a energia que as movia não está mais presente
para torná-las algo mais que apenas um conjunto de células.
-O que você acha que é a
consciência em si?
Difícil esta, heim? (risos) Para mim, a consciência é a capacidade
de um ser de não apenas reconhecer a si mesmo como uma individualidade, como um
ser capaz de tomar decisões e decidir o seu rumo; como também de tomar ações
efetivas para mudar seus rumos, lutando contra aquilo que ele julga ser
incorreto em si (“vícios” ou instintos mal domados) e para incrementar aquilo
que gosta (“virtudes” ou atitudes sublimadas). Embora esta pareça uma visão moralista,
ela é, ao contrário, apenas extremamente prática: De maneira bem simplista:
quaisquer vícios ou atitudes / idéias repetitivas sempre desgastam corpo e
mente, não trazendo benefício nenhum, enquanto as virtudes nos fazem sentir
melhor, melhorando nossa qualidade de vida.
-Qual poderá ser o desenvolvimento de nossa
consciência nos próximos 10 e 100 anos, apenas para especularmos?
O ser humano evolui
devagar. Hoje vemos muitas
religiões e seitas pregando a proximidade do fim dos tempos ou uma nova era de
prosperidade e elevação de consciência; mas no “céu”, como na Terra, as coisas
acontecem devagar. Creio que daqui
a 200 ou 250 anos o mundo vai ser um lugar muito melhor para se viver, e teremos
um nível de consciência bem mais elevado que o de hoje; porém 100 anos são muito
pouco tempo; o mundo estará melhor; mas ainda veremos muita coisa errada
rondando por aqui...
-Você sempre batalha por
um autêntico Quadrinho nacional. Ele existe?
Boa pergunta!! (risos) O quadrinho nacional existe, e
como! Temos excelentes artistas e
franquias; da Turma da Mônica e Menino Maluquinho aos Piratas do Tietê, Níquel
Náusea e Geraldão, passando por um milhão de fanzines editados todos os meses
por quadrinistas amadores; nosso quadrinho é uma realidade que ninguém pode
negar. O que não podemos achar é
que o quadrinho nacional (assim como literatura ou cinema), por ser nacional,
precisa obrigatoriamente de temas nacionais. Não é preciso falar de capoeira ou
ambientar a história em alguma cidade brasileira para que o quadrinho seja
“nacional”; para mim, TUDO o que produzimos no Brasil é nacional. SEI que isso parece ridículo de se
dizer; mas já ouvi muita gente defendendo que, se você escreve uma história de
terror ambientada na França do século XIV ou uma F.C. nos Estados Unidos do
século XXII, você não está fazendo quadrinho nacional, porque está “copiando
modelos estrangeiros” e não está sendo “autenticamente nacional”. Ora, como eu, brasileiro, conseguiria
fazer qualquer coisa que não fosse nacional?? Se temos grande influência de outros
países, especialmente dos EUA, e isso se reflete em nossos quadrinhos, nada mais
estamos fazendo do que retratar a realidade atual!
-O que você acha que
dificulta para o quadrinista brasileiro sobreviver de sua arte? Falta de talento
ou de mercado?
Claro que você está
brincando, não é? Temos talento E
temos mercado! Você já viu a
quantidade de títulos diferentes que saem todos os meses nas bancas? O que falta, provavelmente, é apenas
confiança das editoras e desejo de investir um pouco por aqui, pois é mais
barato comprar lá de fora que pagar para produzir algo por aqui. Basta ver o sucesso dos mangás
brasileiros (principalmente o Holy
Avenger).
Infelizmente isso é parte
de um ciclo vicioso: Os donos de
editoras, é claro, são empresários e preocupados primariamente em ter um negócio
que dê lucros – mesmo que o quadrinho seja de qualidade, nacional ou não, se não
der lucro não sai. Já do lado dos
quadrinistas, temos poucas pessoas capacitadas para realizar um plano de
negócios real, com estudo de mercado-alvo, tempo esperado de retorno de
investimento, estudos de risco e etc; até porque fazer um plano completo custa
dinheiro. Sem um plano definido
capaz de atrair os investidores / editores, é muito difícil ir em frente. Como não há carência de material – é
fácil comprar originais do mercado americano, japonês ou europeu; nosso
quadrinho acaba sempre ficando em segundo plano.
- Você acha que o nosso artista “se vende” quando passa
a publicar no Exterior, nos EUA principalmente, adequando-se ao estilo e mudando até
mesmo de nome?
Se mudar o nome e o
estilo ajuda a vender o trabalho, também não vejo problema em fazê-lo; afinal, o
artista está trabalhando, e não defendendo a honra nacional. É a mesma coisa de achar que um jogador
de futebol que torce pelo Vasco vai estar “se vendendo” se jogar no Flamengo;
não é por aí. Agora, se o cara
conseguir manter o nome e o estilo, acho que seria o ideal – no meu livro que
saiu no mercado americano, meu nome saiu como é, inclusive com til no “Lobão”;
mas o mercado de quadrinhos tem suas peculiaridades.
-Quais dos nossos autores você julga mais em
condições de produzir uma obra de fôlego?
Como roteirista, o
Marcelo Cassaro já provou que tem muito fôlego, mas acho que temos muitos outros
excelentes nomes, ainda pouco conhecidos ou pouco valorizados (por exemplo, o
Gian Danton, o José Durval, ou o Luis de Abreu), que conseguiriam manter o pique
de produzir grandes obras, ou mesmo obras mensais, se tivessem uma editora que
acreditasse em seu trabalho. Sem
esquecer, é claro, dos já “consagrados” grandes mestres: Shimamoto, Laerte,
Mutarelli, Mozart
Couto, Colonnese, Marcatti, etc, etc-Como o leitor interessado pode adquirir seus
Quadrinhos e livros, quais os que estão disponíveis?
Vamos lá:
- Meu primeiro livro, A
Caixa de Pandora e Outras Histórias”, pode ser encontrado nas livrarias
Siciliano ou no site http://www.thesaurus.com.br/produto.asp?produto=1053; A
história que deu nome ao livro, como falei anteriormente, está em formato de
e-book no portal Terra.
- Meu livro sobre
programação de jogos pode ser encontrado em qualquer livraria virtual americana,
como a Amazon ou a Barnes & Noble.
- Os quadrinhos que
saíram em zines estão esgotados, mas tenho algumas histórias curtas (4 a 6
páginas) que podem ser “reimpressas” caso algum zineiro se interesse, é só
entrar em contato comigo. Tenho
histórias de terror e sobre guerras, além de contos diversos.
- A editora Escala deve
estar publicando um série de histórias do Ultrax, desenhada pelo E.C.Nickel, em
algum momento deste ano; com roteiros meus em três das cinco histórias.
- O Eloir (E.C.Nickel)
também está finalizando uma incrível história, “Fiat Voluntas Tua”
(latim: "seja feita a sua vontade"), em cores, que pretendemos vender para uma
editora portuguesa, para ser publicada na forma de álbum.
Fora isso, quem se
interessar em futuros lançamentos pode entrar em contato comigo pelo e-mail aslobao@hotmail.com; para que eu inclua o
nome na minha lista de contatos.
-Quais sites da web você visita com freqüência?
Um monte. Basicamente, sites de criação de jogos (amadores, como o da Virtually Real e da BlackEye Software), de quadrinhos (Omelete, UHQ); além de sites diversos quando estou pesquisando algo para escrever
-Qual foi a experiência
mais louca que você já experimentou na vida?
Uma vez, eu relaxei
deitado na cama e, de repente, me vi fora do corpo. Levei um susto tão grande que “caí” de
volta no corpo... De outra vez,
sonhei que estava em um carroção que fugia de um grupo de índios (americanos); e
quando um índio acertou uma lança nas minhas costas, caí da carroça e da cama,
ao mesmo tempo, e acordei sem saber se estava vivo ou morto... Já vivi muita coisa “louca”, até por
isso resolvi escrever um livro com as lições do que aprendi (“Amar é simples e
necessário” – que está à procura de um editor); mostrando o lado mais sério e
profundo das loucuras que vivemos e fazemos.
-Qual foi o sonho mais
louco que você já teve?
Parece brincadeira,
mas quase toda semana tenho um “sonho mais louco da minha vida”. De ficções científicas onde me vejo
lutando contra seres vindos de um futuro distante até terrores escrachados, onde
tenho que fugir de demônios e zumbis, ocorre de tudo nas minhas noites. Nem sempre são histórias que seriam
interessantes de se escrever – mas quando você está VIVENDO aquilo, você não
pára para discutir se agarrar um demônio invisível e mover coisas com a mente é
bizarro, você só vive – e reza para continuar vivendo...
- Militando “no ramo” você pode dizer vale – a
pena?
Tudo que é feito de coração vale a pena!